O autor afirma que as
melhores narrativas escritas são “as que menos se distinguem das histórias
orais contadas pelos inúmeros narradores anônimos”. (p. 198). Esses narradores
se dividem em dois tipos: o narrador que vem de longe (figura do marinheiro
comerciante) e o narrador que vive sem sair de seu país, e conhece bem a
tradição (figura do camponês sedentário). No entanto, Benjamin lembra que a
extensão real do reino narrativo só pode ser compreendida se levarmos em conta
a interpenetração desses dois tipos.
Benjamin destaca dois
indícios da evolução que culminarão na morte da narrativa: o romance e a
informação. O romance, diferente da narrativa, está ligado ao livro. Ele não
procede da tradição oral nem a alimente. A origem do romance é o indivíduo
isolado, que não recebe conselhos nem sabe dá-los. A informação, para o autor,
é mais ameaçadora e provoca uma crise no próprio romance. Diferentemente da
narrativa, cujo saber vinha de longe, a informação pede uma verificação imediata.
Só tem valor no momento em que é nova.
Para Benjamin, a
narrativa é ela própria uma forma artesanal de comunicação, onde o narrador
deixa sua impressão na narrativa contada.
O autor termina o texto
retomando a importância da figura do narrador: “o narrador figura entre os
mestres e os sábios. Ele sabe dar conselhos: não para alguns casos, como o
provérbio, mas para muitos casos, como o sábio. Pois pode recorrer ao acervo de
toda uma vida.
(...) Seu
dom é poder contar sua vida; sua dignidade é contá-la inteira. O narrador é o
homem que poderia deixar luz tênue de sua narração consumir completamente a
mecha de sua vida.”
Foto: Isabela Fumo

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