Era uma vez uma moça que definitivamente não gostava de arrumar a sua casa, serviços domésticos, nem pensar. Sua mãe já não aguentava mais... Todos os dias era a mesma ladainha: - Menina! Arrume essa bagunça! Que nada, a moça gostava era do movimento. Certa manhã ouvindo o mesmo rosário, e querendo ver a vida lá do lado de fora, saiu correndo e subiu no telhado. Que vista maravilhosa, o mundo parecia tão mais bonito, empuleirada entre as telhas. A mãe gritando, procurando a menina e quando ela já se preparava para responder, eis que ela avista ao longe, um cavalheiro. E vem sem aproximando, marchando o seu cavalo o conduzia para mais perto. A mãe dela chegou nesse instante, olhou para cima, e viu as condições da filha no meio daquele monte de palha de quera feito o telhado. Mas percebeu o olhar dos dois, estavam apaixonados. Quebrando o encanto o cavalheiro se apresentou dizendo que era o príncipe do reino vizinho, que a moça era linda, mas o que estava fazendo no meio da palha, em cima do telhado? A mãe percebendo a situação foi logo dizendo: - ela transforma toda a palha em fios de ouro. Nossa! O príncipe depois dessa informação, se apaixonou mais ainda, quanto talento. E sem perder tempo, pediu a mão da moça em casamento e tratou logo de levá-la para o castelo, teria que apresenta-la para sua mãe, a Rainha. E no momento que a Rainha, mãe do moço, futura sogra olhou para ela, foi logo dizendo: - uma camponesa?! Esperto, o príncipe respondeu em seguida: - Ela transforma palha em fios de ouro. Ah, mais isso que quero ver. Colocou a menina em um quarto, encheu de palha e ordenou que até a manhã seguinte, tudo aquilo estivesse transformado em fios de ouro e fechou a porta. A menina, chorou, chorou, chorou... E pensou, como fazer isso? E chorou mais ainda, mais um pouco... Já se preparando para contar tudo como era e perder o seu amor e o reinado, de repente pela janela apareceu uma mulher com um pé muito grande e torto, ela achou estranho. De repente apareceu outra, mas com a parte debaixo da boca caída até a barriga. O que era aquilo? E mal pôde esperar apareceu outra com o dedo da mão enorme e deformado. As três mulheres horrorosas foram logo dizendo, nós podemos lhe ajudar. Podemos transformar tudo isso aqui em fios de ouro. Mas temos uma condição, queremos ser recebidas em seu casamento como suas tias, comer, beber, sentar á mesa. E não tenha vergonha de nós, o que me diz. A moça não teve dúvida, concordo com tudo. No dia seguinte, quando a corte chegou para ver o resultado, lá estava toda a palha transformada em ouro. Todos fizeram aquela cara de espanto e não tinha jeito, vamos para o casamento. No dia da cerimônia, as três mulheres foram chegando. A guarda real já queria colocar as três mulheres horríveis para fora da festa. A moça gritou, de jeito nenhum, elas são minhas tias. Suas tias? Sim, minhas tias!!! O príncipe intrigado perguntou: - mas o que aconteceu com vocês? E a primeira respondeu: ora, de tanto pedalar a roca, olha o que aconteceu com o meu pé?! A segunda disse, e eu tenho que umedecer a linha, puxar, puxar, puxar, meu lábio caiu. E a terceira, e eu de tanto puxar, olhe o tamanho do meu dedo. Ah, não era possível. O príncipe no ímpeto de braveza, foi logo declarando. Minha amada esposa, de hoje em diante, você nunca mais irá fiar!!!

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Adaptação a partir da escuta da narrativa de Julia Klein - 7o. Boca do Céu - 2016