quarta-feira, 27 de junho de 2018

A Saudade

O tempo de todas as coisas, de todos os caminhos. A roda da fortuna girou, e quando ela parou, ali estava você... Esperando. Quando me olhou, não pude parar de desejar o seu possível abraço. Sua ausência permeia em saudades. 

#elainegomes

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O Feitiço

Era noite de lua, o lago refletia a sua luz. Decidiram caminhar lado a lado. Uma certa felicidade pairava entre os dois, era como se a liberdade estivesse chamando, mas ainda assim, um certo receio apriosionava. O contato levemente instaurado na pele, não deixava  esquecer o desejo latente em estar perto dele. Ele chegava perto dela, a puxava para o corpo dele, mas ela fugia, tentando negar o inegável. Tentando controlar o impossível, sentir os seus lábios nos dele, ser tocada lentamente pela sua boca sob a luz da lua. Ele disse quase em um sussurro, você lançou um feitiço sobre mim, não paro de pensar em você. Bastou a respiração tão perto, para que ela pudesse flutuar em terra firme. Ele escolheu com todo o cuidado, um lugar perto do lago, para juntos ficarem, ali, observando a paisagem. Tirou de sua mala, uma de suas camisas, esticou no chão para que ela pudesse se sentar, ela consentiu e ele acomodou-se ao lado dela. Ficaram assim, juntos, lado a lado por alguns minutos, ouvindo o som da noite. Ele tocava levemente em seus cabelos, tocava lentamente em seu rosto, como que acariciando algo tão precioso. Preparando os seus lábios, para o beijo ainda não dado, mas inebriante na angústia dor da espera.
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Joss Stone - I Put a Spell on You (Luna Park, 2015)

O Ponto de Encontro

A biblioteca foi o lugar escolhido, cheia de majestade, ali se encontrariam para dar as mãos. Mas quando ela chegou de mansinho, foi procurando naquela imensidão de livros e esculturas, aquele homem, ainda cheio de mistérios para ela. Ficou por alguns minutos a olhar para ele, que estava sentado com um livro na mão, aos pés de uma escultura no centro do saguão. Era tão bom olhar para aquela imagem, parecia tão absorto dentro das páginas daquele livro. Mas precisava dar mão para ele, tinham juntos uma tarefa de vida, outras mãos os esperavam... E quando ela chegou perto dele, tocou de leve em seu ombro, ele olhou para cima, seus olhos brilhavam, assim como os dela, dentro do encontro. Tudo o que  disse foi: - peguei esse livro! Ela por sua vez, o tomou em suas mãos, folheou algumas páginas... Mitologia grega, deuses, muitos deuses. Eu gosto de Perséfone, ela falou baixinho... Levantou-se e aproximou-se dela. Ficaram tão perto! Precisamos ir, ele disse, está chegando a nossa hora de dançar!
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terça-feira, 19 de junho de 2018

Ponto de ônibus

Ela estava tão enveredada na conversa, que passou do ponto. Desceu, retornou. A noite chegava mansa depois do trabalho, ficou ali, naquele ponto perto da Consolação, na praça do ciclista. De repente ao lado dela, uma conversa animada. Falavam de música. Ele um senhor, aparentemente mais de 65 anos, barba por fazer, branquinha, assim como os fios de cabelos. Estava com vários casacos, uma touca meio desajeitada, ao seu lado um carrinho, aqueles de feira, uma bolsa a tira colo vermelha. Ele estava em pé ouvindo a música do celular, que o rapaz lhe propunha a ouvir. O rapaz, um menino, aparentemente com os seus 20 anos, sentado, uma mochila nas costas, devia ter saído da faculdade. Era amigo daquele homem, insistia em perguntar se ele gostava daquela música, e o amigo respondia: gosto das mais alegres, falavam do Ray Charles. O moço na conversa dos bons amigos, perguntou se ele estava precisando de alguma coisa, remédios, comida, roupas... Ele respondeu: se tiver um som, preciso de música, gosto de música. Lá onde eu fico levam tudo, aliás, falta tudo, remédio, roupa, outro dia o meu amigo mendigo morreu, morreu! Foi embora! O rapaz insistia e de repente, sacou da mochila o seu caderno e uma caneta, arrancou a folha e disse: - vou deixar o endereço da minha casa e quando o senhor precisar, vai até lá! Se o senhor precisar de remédios, roupas, comida... O senhor foi completando: - se eu precisar do som, guarda lá prá mim. É mais fácil para o senhor me achar, do que eu encontrar o senhor. E o senhor respondendo alegre, na avenida paulista fria, disse: é melhor mesmo, eu ter o seu endereço, é mais fácil para eu te achar, porque você sabe, eu ando por aí, não tenho parada, vivo livre no mundo... A conversa estava tão boa, o ônibus chegou, era o ônibus do menino, mas ele resolveu ficar... Ela embarcou, olhando a cena pela janela, com as vistas turvas.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

A PERGUNTA (Conto Indiano)

A PERGUNTA (Conto Indiano) Do livro: O Violino Cigano e outros contos de mulheres sábias Recontados pela PROFA. Regina Machado Editora Cia....