domingo, 16 de agosto de 2015

MESTRE EL MORYA

"Nada do que for feito será perdido, nada do que for sentido

 será esquecido. Não temas jamais, e confia na criação. 

Constrói um pouco a cada dia, mas faze-o com amor. 

Respeito e ordem". 



quinta-feira, 6 de agosto de 2015


Quanto tempo essa estranha saudade vai durar?

O que me move?


Desde 2004 que estou escolhendo pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Literatura e Crítica Literária da PUC-SP. Depois de uma longa jornada pela Universidade de São Paulo e uma breve pela UNESP, o meu caminho foi estreitado pela PUC, mesmo não conseguindo terminar o curso em 2004 por uma série de dificuldades, acredito que tudo tenha o seu caminho certo, ou melhor, sua hora certa. E há exatos dez anos, estou de volta, 2014 foi o ano em que o Senac, meu local de trabalho há 17 anos,  aprovou minha bolsa de estudos. O que facilitou muito a minha escolha, ou melhor, o que eu já havia escolhido há muito tempo.
Em minhas memórias sempre guardo as experiências vividas na escola. Fiz o antigo primário em uma escola da prefeitura, com professores excelentes, uma época em que ainda se realizava concursos de leitura. Sempre fui a aluna que participava de tudo, do coral, das danças, dos movimentos sociais e dos prêmios de leitura e redação. E por falar em redação, grande companheira durante a minha adolescência, escrevia inúmeros diários e lia, lia muito. Os livros são nossos companheiros em todas as horas, em todas as idades, nos livra de uma certa solidão. Ainda assim, tendo toda essa vivência no mundo da expressividade,  o colégio fui fazer o curso técnico em secretariado, ainda a questão da boa redação, do cuidado pelos documentos, comunicação visual, escrita e verbal, mais do que necessárias nesse tipo de profissão. Ainda cheguei a trabalhar em uma multinacional por dois anos, comecei a graduação em Economia, mas a cada dia me sentia extremamente triste. E em um desses dias meu pai disse: - não seria melhor você largar essa faculdade e voltar a sorrir? Daquele dia em diante, decidi que jamais trabalharia ou estudaria algo que não me desse prazer, e assim foi, larguei a faculdade e a multinacional. Buscando uma faculdade, encontrei os meus tempos de infância e vi que a comunicação e as artes estavam presentes desde sempre.
Confesso que fiquei na dúvida entre jornalismo e artes, mas me apaixonei pelo prédio da FAAP-SP, algo meio greco-romano. E como disse Caetano Veloso: “as força que as coisas parecem ter, quando elas precisam acontecer”. Acabei ficando na FAAP, embora eu conhecesse a Cidade de São Paulo, o suficiente para perceber que ela é feita de diversas outras cidades. Eu morando em Interlagos, estudando no Pacaembu, tendo um sítio em Engenheiro Marsilac e depois da multinacional no primeiro semestre da faculdade, fui indicada para dar aula de Educação Artística em uma escola estadual, ás margens da represa Billings, também extremo sul da cidade.
Mas todo esse percurso em plenos 19 anos, me ajudou muito, principalmente nessa profissão que desenvolvo há mais de 20 anos, dar aulas formais ou não-formais, mas estar sempre rodeada de gente, de várias idades, e com tamanha diversidade de ideias, costumes, gêneros, embora eu ainda esteja falando da cidade de São Paulo. Em 1993 ainda na FAAP, conheci a professora Sueli Peccerini, ela pesquisava a arte de contar histórias para crianças em fase terminal com câncer. E nessa mesma época eu dava aula na escola pública, e a professora Regina Machado – USP, também já pesquisava a tradição oral e dava palestras, e como existe uma força invisível que conspira, ela foi palestrar e contar histórias na escola que eu trabalhava. Sueli – FAAP, sabendo desse evento, pediu para que eu fosse, e recontasse uma história que a Regina tivesse apresentado. Foi quando Regina me apresentou Fátima, a fiandeira, foi tão bonito, porque de um  certo modo ela contou como o meu tio-avô Sebastião contava, e a minha avó D. Augusta narrava lá no alto da Serra em Engenheiro Marsilac. Mais tarde, fui entender que estávamos falando a mesma língua: a tradição oral. E a partir daquele momento, contei essa história na FAAP, e em todas as minhas aulas e conto até hoje, porque ela significa muito para mim. Porque ela faz parte de mim, as histórias estão presentes em toda a minha família, seja materna ou paterna. A paterna por ser neta de imigrantes portugueses e italianos, essa herança do drama, da força da palavra, do gestual. Só poderia me dar elementos para descobrir a artista-professora que sou hoje, e que vai se reinventando a cada dia, a cada curso, em cada turma.
Conto histórias e leio histórias porque me alimento delas, assim como as artes visuais, todas interligadas para minha sobrevivência. E qual boa surpresa encontrar no programa tantas possibilidades, e o melhor, ter professores tão significativos e inesquecíveis para a vida pessoal e profissional. Escolher o caminho das artes não é uma tarefa fácil, a grande maioria não aceita, se aceita já define como lazer e não como algo que importante para a vida, seja profissional ou pessoal. E durante todas as aulas, fui revendo aquela menina do concurso de leitura, das artes, do coral, das danças...

Acredito que um curso de mestrado, depois de tantos outros cursos e de tantos anos de trabalho  tem essa função, dialogar algo que nos inspire, que nos faça refletir ao ponto de nos movimentar, sair do estado letárgico muitas vezes proposto pelo próprio ambiente de trabalho, pelo descrédito da profissão, da área do conhecimento. O que me moveu ao programa foi a vontade de continuar acreditando que a leitura pode ser a sua melhor companhia, em qualquer situação, em qualquer momento, em qualquer idade. Que nada acontece por acaso, tudo tem o seu tempo, e no meu tempo tive aula com os melhores professores, encontrei a melhor orientadora que eu poderia ter, recuperei minhas memórias e as minhas melhores companheiras a arte e a literatura.

domingo, 2 de agosto de 2015

QUE HISTÓRIA É ESSA? A História do Sal


MULHERES MALDITAS

Como um rebanho absorto e na areia deitadas,
Elas volvem o olhar para o espelho das águas;
Os pés em mudo afago e as mãos entrelaçadas,
Bebem o fel do calafrio e o mel das mágoas.

Umas, o coração abrindo em confidências,
Nos bosques onde se ouve um córrego em segredo,
Vão soletrando o amor em cândidas cadências
E o pólen raspam aos rebentos do arvoredo;

Outras, tais como irmãs, andam lentas e cavas
Por entre as rochas apinhadas de ilusões,
Onde viu Santo Antônio aflorar como lavas
Os rubros seios nus de suas tentações;

Outras há que, ao calor líquida resina,
No côncavo sem voz de um velho antro pagão
Pedem por ti em meio à febre que alucina,
Ó Baco, ao pé de quem dorme toda a aflição!

(As Flores do Mal - Charles Baudelaire)

A PERGUNTA (Conto Indiano)

A PERGUNTA (Conto Indiano) Do livro: O Violino Cigano e outros contos de mulheres sábias Recontados pela PROFA. Regina Machado Editora Cia....