domingo, 21 de fevereiro de 2016


Guardado dentro do estojo de veludo, 
esperando a hora em que seu corpo fosse tocado. 
Mãos hábeis deslizando e acariciando o seu tronco, 
pele eriçada diante da tinta que se diluía na saliva. 

(Elaine Gomes)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Os Poderes Infernais


O meu amor faísca na medula, 
pois que na superfície ele anoitece. 
Abre na escuridão sua quermesse. 
É todo fome, e eis que repele a gula. 

Sua escama de fel nunca se anula 
e seu rangido nada tem de prece. 
Uma aranha invisível é que o tece. 
O meu amor, paralisado, pula. 

Pulula, ulula. Salve, lobo triste! 
Quando eu secar, ele estará vivendo, 
já não vive de mim, nele é que existe 

o que sou, o que sobro, esmigalhado. 
O meu amor é tudo que, morrendo, 
não morre todo, e fica no ar, parado.



 CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE 
A vida passada a limpo, 1959 

Temor


Ultimamente essa palavra, temor, me faz refletir. Uma reflexão tanto quanto cultural, percebendo a partir do meu contato com tantas pessoas, o quanto é pertinente. Ela também aparece em alguns programas, livros, palestras, de pessoas que eu admiro e que também discutem essa questão. Uma vez que o temor nos impede de realizar tantos projetos, e que acaba ficando só no plano das ideias, muitas vezes jamais realizados, uma pena! O temor, sinônimo de medo, parceiro do será... Sentimento que paralisa, que não resolve e não estimula, muito pelo contrário nos impede, nos deprime, no sentido da palavra cair, ficar lá em baixo. E o que vemos são pessoas cada vez mais, entrando na zona de conforto, desistindo dos projetos, e o pior desistindo dos sonhos.  E nesse momento poderíamos nos perguntar, o que fazer para driblar o temor, esse sentimento de negação e não de desafio para a realização? Acredito muito na sintonia, como se fossemos uma grande antena que vai sintonizando, mas não pode ser uma sintonia aleatória, precisa saber o que se quer sintonizar e o que é importante para mim, o que de fato irá me fazer feliz, ou melhor, o sentimento de realização de possibilidades e não de dificuldades de derrota. Pense naqueles momentos em que realizamos milagres, algo tão bem feito, aquela sensação de coisa boa realizada. Entre nessa estação, sinta como é bom estar ali, como você é capaz. Não fique na sintonia do que não foi tão bom, embora seja muito mais fácil, parece até que é normal, valorizar o que foi ruim, o que não deu certo. Diga um grande não para as sensações de perda, de fracasso, e mais uma vez sintonize o que de fato é você, sua verdadeira sintonia. Experimente, qual é a sensação, aquela de conquista, de dias felizes, ficando ao seu lado, valorizando suas ideias e feitos. Dessa maneira não há temor que te segure, não há medo que te impeça de realizar, todos os seus projetos, de reencontrar todos os seus sonhos!


(Texto inspirado na obra de HENRI MATISSE)

A PERGUNTA (Conto Indiano)

A PERGUNTA (Conto Indiano) Do livro: O Violino Cigano e outros contos de mulheres sábias Recontados pela PROFA. Regina Machado Editora Cia....