quinta-feira, 27 de março de 2014

Curso O CONTADOR DE HISTÓRIAS

Olá Pessoas, segue nossa programação com muitas rodas de histórias:
 
O CONTADOR DE HISTÓRIAS -
 
07 á 11/04 das 14h ás 17h
10 á 07/06 das 14h ás 17h
05 á 02/08 das 09h ás 12h
Até lá e mais narrativas... Beijos.







 
 
 
 
 
 

sábado, 15 de março de 2014

Nasrudin - O Narrador

Por Rodolfo Rocha
 
 
 
 
 
Nasrudin era um sábio, viajante, contador de histórias... O conheci através da Elaine, aquela das magias. Mulher, sábia, cheia de encantos e de histórias. Histórias essas, as quais conversam e falam das artes, das escolas, da vida. E o que é a vida, senão histórias? Vividas e ouvidas, as quais nos compõem e nos transformam. A do Nasrudin, assim como tantas outras que contamos uns aos outros no O professor que conta histórias, me transformou. Pois me provou, mais uma vez, que a arte é bela. Arranca o riso. Torna estonteantes, nossa voz, nosso semblante. Porque assim é ela. E a arte está nas coisas singelas... Trabalhar o ouvido, sensibilizar os olhos, entoar a voz, até trocar de roupas, reparar nas cores, tão simples e quão distante, muitas vezes, de nossas vidas, nossas rotinas, que cansam, mas não descansam, da reprodução do óbvio... Pro óbvio não há preparo. Já é sabido. Não traz informação, tão logo não contagia, não tem magia. E se não informa, não ensina. E o quanto ficou claro, nesses espaços de Fátimas e Nasrudins, que educação e arte conversam, sintonizam, e trazem assim, movimento aos nossos corpos. Era esse movimento que eu buscava no curso, e, de cara, o encontrei. Porque ele é quem me anima, e me fez sentir vivo. Quando o movimento cessar e o mundo prá mim parar de girar, saberei portanto, que na estagnação, quem existe é a morte.


sexta-feira, 14 de março de 2014

Narrador, aquele que não existe

 Por Ana Gomes

Em tempos atuais transmite-se a informação - e apenas isso - por plataformas diversas, multi-telas, papéis de revista ou jornal, objetivamente. A oralidade perde força diante da necessidade documental a que o ser humano se apega diariamente. Some-se a isso o vírus endêmico de "não se expôr ao ridículo" e pronto: o Narrador não existe mais.

Walter Benjamin articula diferentes nuances do personagem Narrador. Aquele que viaja ou que fica, que participa ou só conta, todos eles se foram. Porque não há tempo, não há vontade, mas há histórias. Muitas. Milhares delas. Contadas, talvez, à boca pequena, para meia dúzia de ouvintes compulsórios e, quem sabe, nem tão interessados assim.

Uma pena.

Porque todos temos um Narrador em algum lugar por dentro. Em algum cômodo, alguma gaveta, algum envelope caído atrás da cama. Porque todos nós contamos histórias todo o tempo. O que falta? 

Falta refazer deste momento um momento... mágico.

quinta-feira, 13 de março de 2014

O Narrador de Walter Benjamim

Por Camila Lima Garcez da Silva
 

 Walter Benjamim inicia o seu texto sobre o narrador enfatizando que a arte de narrar está cada vez mais extinta por não ter pessoas interessadas e/ou capazes de narrar devidamente.
É algo que se torna cada vez mais escasso e quando é solicitada uma narração a uma pessoa ou a um grupo, surge o espanto e a insegurança. Tudo isso está acontecendo por que a sabedoria está cada vez mais extinta.
É importante que o narrador saiba narrar muito bem uma história, seja a sua ou a de outras pessoas. Precisa dominar o conteúdo narrado.
Aos poucos vamos percebendo que os fatos da vida são publicados nos jornais e revistas acompanhados de explicações, não se vê mais uma pessoa contando histórias.
Quando um fato é publicado de forma explicativa não desperta no ouvinte ou leitor um interesse em se envolver ou saber mais sobre aquela história, pois a mesma já foi explicada. É diferente de quando você narra uma história a alguém deixando um gostinho de quero mais.
Em seu texto, Walter Benjamin afirma que “quem escuta uma história está em companhia do narrador; mesmo quem a lê partilha dessa companhia”.

O Narrador

Por Isabela Fumo

O autor afirma que as melhores narrativas escritas são “as que menos se distinguem das histórias orais contadas pelos inúmeros narradores anônimos”. (p. 198). Esses narradores se dividem em dois tipos: o narrador que vem de longe (figura do marinheiro comerciante) e o narrador que vive sem sair de seu país, e conhece bem a tradição (figura do camponês sedentário). No entanto, Benjamin lembra que a extensão real do reino narrativo só pode ser compreendida se levarmos em conta a interpenetração desses dois tipos.
Benjamin destaca dois indícios da evolução que culminarão na morte da narrativa: o romance e a informação. O romance, diferente da narrativa, está ligado ao livro. Ele não procede da tradição oral nem a alimente. A origem do romance é o indivíduo isolado, que não recebe conselhos nem sabe dá-los. A informação, para o autor, é mais ameaçadora e provoca uma crise no próprio romance. Diferentemente da narrativa, cujo saber vinha de longe, a informação pede uma verificação imediata. Só tem valor no momento em que é nova.
Para Benjamin, a narrativa é ela própria uma forma artesanal de comunicação, onde o narrador deixa sua impressão na narrativa contada.
O autor termina o texto retomando a importância da figura do narrador: “o narrador figura entre os mestres e os sábios. Ele sabe dar conselhos: não para alguns casos, como o provérbio, mas para muitos casos, como o sábio. Pois pode recorrer ao acervo de toda uma vida. (...) Seu dom é poder contar sua vida; sua dignidade é contá-la inteira. O narrador é o homem que poderia deixar luz tênue de sua narração consumir completamente a mecha de sua vida.”
 
 


Foto: Isabela Fumo
 

A PERGUNTA (Conto Indiano)

A PERGUNTA (Conto Indiano) Do livro: O Violino Cigano e outros contos de mulheres sábias Recontados pela PROFA. Regina Machado Editora Cia....