domingo, 29 de maio de 2016

Gavetas

Dentro de nós várias gavetas. Algumas gavetas estão fechadas, mas as chaves estão na fechadura. Outras as fechaduras estão enferrujadas e as chaves sumiram. Talvez exista a possibilidade de uma chave substituir a outra e o ferrugem ceder. Mas para tanto precisamos querer abrir. Tem gaveta que é fácil, quase abre sozinha, mas tem outras que emperraram na tristeza. As limpezas são necessárias, todas as gavetas precisam de ar e sol, luz. Não adianta perder, esconder a chave, é necessário encontrar um jeito, mesmo que seja pegando a chave de outra gaveta, arriscar. Quando as gavetas são abertas nos deparamos com diversas surpresas, sentimentos até então esquecidos. Outros escondidos lá no fundo, embaixo de alguma outra coisa, na tentativa frustrante de tentar esquecer, se eu não vejo, não lembro. Procure dentro das gavetas, abra as suas gavetas, perdoe, doe, recicle, chore, lembre, ria, passe um pano úmido, deixe um perfume com o lustre móveis e depois gotas de lavanda; dessas gotas-perfumes que vão da alma ao coração. Não esconda dentro das gavetas o que viveu, não deixe trancado o que você não pode cuidar.

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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Quando você me chama

Ouço a voz dele chamando ao longe, sim ele está longe. Mas ao mesmo tempo existe uma lembrança tão forte capaz de encurtar a distância. Estivemos muito perto um dia, aproximamos nossas ideias e o nosso olhar. Os dois juntos viajaram por terras magníficas, contemplaram montanhas, lagos e flores. Fizeram amor sob o céu estrelado, a lua prateada brindava o encontro. A chuva banhava os corpos e os pensamentos, e quando a dúvida pairava o sol aquecia, e era tanto calor que fazia evaporar qualquer desavença. Até os dias de hoje, ele grita o nome dela. Ela escuta o seu chamado e diante do sol, responde. Mas é sob a luz da lua que as ideias e olhar se encontram, saem para dançar mais uma vez, sob o céu de estrelas. Saudade! 

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domingo, 22 de maio de 2016

Gira Sol

Dizem por aí que a vida é feita de escolhas, será mesmo? A determinação crava com as suas unhas a decisão, já que escolheu siga em frente, não fique buscando no passado ou na célebre frase: e se? A escolha feita não oferece mais caminhos, a não ser que uma vez não satisfeito, eu possa re-escolher, será? Assim com o giro do sol, eu poderia girar e dizer: não, não quero isso pra mim. Mas há um detalhe, eu só sei que a escolha certa não é aquela, porque experimentei, ou seja, escolhi para saber. Ultimamente vemos tantas coisas, para ter saúde, talvez seja necessário girar. Parar de arrastar as correntes das indecisões, dos arrependimentos e movimentar. Quando se está a seu favor, o universo também conspira em sua direção. Mesmo que seja necessário a re-escolha, experimente ficar ao seu lado. Só há felicidade quando nos permitimos à felicidade. E logo de manhãzinha se ele te der bom dia, gire com ele...
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sábado, 21 de maio de 2016

As Fiandeiras

Era uma vez uma moça que definitivamente não gostava de arrumar a sua casa, serviços domésticos, nem pensar. Sua mãe já não aguentava mais... Todos os dias era a mesma ladainha: - Menina! Arrume essa bagunça! Que nada, a moça gostava era do movimento. Certa manhã ouvindo o mesmo rosário, e querendo ver a vida lá do lado de fora, saiu correndo e subiu no telhado. Que vista maravilhosa, o mundo parecia tão mais bonito, empuleirada entre as telhas. A mãe gritando, procurando a menina e quando ela já se preparava para responder, eis que ela avista ao longe, um cavalheiro. E vem sem aproximando, marchando o seu cavalo o conduzia para mais perto. A mãe dela chegou nesse instante, olhou para cima, e viu as condições da filha no meio daquele monte de palha de quera feito o telhado. Mas percebeu o olhar dos dois, estavam apaixonados. Quebrando o encanto o cavalheiro se apresentou dizendo que era o príncipe do reino vizinho, que a moça era linda, mas o que estava fazendo no meio da palha, em cima do telhado? A mãe percebendo a situação foi logo dizendo: - ela transforma toda a palha em fios de ouro. Nossa! O príncipe depois dessa informação, se apaixonou mais ainda, quanto talento.  E sem perder tempo, pediu a mão da moça em casamento e tratou logo de levá-la para o castelo, teria que apresenta-la para sua mãe, a Rainha. E no momento que a Rainha, mãe do moço, futura sogra olhou para ela, foi logo dizendo: - uma camponesa?!  Esperto, o príncipe respondeu em seguida: - Ela transforma palha em fios de ouro. Ah, mais isso que quero ver. Colocou a menina em um quarto, encheu de palha e ordenou que até a manhã seguinte, tudo aquilo estivesse transformado em fios de ouro e fechou a porta. A menina, chorou, chorou, chorou... E pensou, como fazer isso? E chorou mais ainda, mais um pouco... Já se preparando para contar tudo como era e perder o seu amor e o reinado, de repente pela janela apareceu uma mulher com um pé muito grande e torto, ela achou estranho. De repente apareceu outra, mas com a parte debaixo da boca caída até a barriga. O que era aquilo? E mal pôde esperar apareceu outra com o dedo da mão enorme e deformado. As três mulheres horrorosas foram logo dizendo, nós podemos lhe ajudar. Podemos transformar tudo isso aqui em fios de ouro. Mas temos uma condição, queremos ser recebidas em seu casamento como suas tias, comer, beber, sentar á mesa. E não tenha vergonha de nós, o que me diz. A moça não teve dúvida, concordo com tudo. No dia seguinte, quando a corte chegou para ver o resultado, lá estava toda a palha transformada em ouro. Todos fizeram aquela cara de espanto e não tinha jeito, vamos para o casamento. No dia da cerimônia, as três mulheres foram chegando. A guarda real já queria colocar as três mulheres horríveis para fora da festa. A moça gritou, de jeito nenhum, elas são minhas tias. Suas tias? Sim, minhas tias!!! O príncipe intrigado perguntou: - mas o que aconteceu com vocês? E a primeira respondeu: ora, de tanto pedalar a roca, olha o que aconteceu com o meu pé?! A segunda disse, e eu tenho que umedecer a linha, puxar, puxar, puxar, meu lábio caiu. E a terceira, e eu de tanto puxar, olhe o tamanho do meu dedo. Ah, não era possível. O príncipe no ímpeto de braveza, foi logo declarando. Minha amada esposa, de hoje em diante, você  nunca mais irá fiar!!! 

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Adaptação a partir da escuta da narrativa de Julia Klein - 7o. Boca do Céu - 2016

Promessa de Felicidade

Jamais teremos a dimensão das nossas atitudes, em um relance, tudo pode acontecer. Como responderemos ás ações de enfrentamentos. Como tomar uma decisão rápida diante de uma situação em completo descontrole. Até que ponto vai a dedicação extrema das pessoas umas as outras. O que uma pessoa é capaz de fazer quando está encantada em obsessão por outra. Por que ficamos dependentes dos outros, será porque não conseguimos ficar seguros em nós mesmos. Essa promessa de ser feliz prendendo o outro, isso jamais poderá ter um final feliz. É como estar em uma rua sem saída, não tem como atravessar, porque a passagem está dentro de cada um de nós, dentro daquele que decide viver para o seu próprio bem. Só é feliz quem está feliz por dentro, no pensamento, dentro da alma. 


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Singular

A caminhada é desconhecida, o que encontraremos pelo caminho é a grande surpresa, como lidaremos com ela é o aprendizado. O desafio é sentir a poesia da estrada, viver cada instante como um milagre que não se repete mais, o momento do inesquecível no seu universo singular.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

A Flor da Pele

"Os meus olhos tem a fome do horizonte"


Há muito tempo aconteceu um encontro. Um homem e uma mulher dentro daquela manhã de sol. Era tanto brilho que quase os olhos não podiam suportar, era necessário piscar para ver melhor. Em cada pisco uma surpresa, o brilho continuava lá, cada vez mais intenso. A manhã se estendeu pela tarde, também pela noite e os dois já não conseguiam mais se separar. No meio da tarde andaram entre obras de arte, seus corpos performavam um único desenho. Ficaram assim, braços dados rodopiando entre as cores. E o tempo que guarda também faz lembrar, memória da pele, no reencontro solar.


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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Em algum lugar

Há uma terra não tão distante, mas ela é considerada mágica pelos seus ancentrais. Sua localização não é identificada em mapas ou qualquer estratosfera. Mas é possível sentir o lugar por meio das energias produzidas, dependendo da vibração a terra aparece, quase um planeta, outra civilização. Será que poderíamos chamar de civilização, talvez, não como estamos acostumados. Quando a energia vibracional é de amor, podemos enxerga-la em toda a sua beleza. Uma música preenche todos os espaços, e as pessoas que estão nesse campo começam a dançar, livres. É tão lindo de ver, tão bom sentir. Sair dançando pela leveza das plantas e do colorido das flores. Nesse lugar sempre existe uma história guardada em alguma folha ou um galho. Ás vezes perto do chão, em outras próxima ao céu. Mas esse lugar tem um pulsar, é o caminho para quem quiser encontrar.

#elainegomes


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Ausência

Em algum lugar distante, ele a espera. Não se cansa de contar as horas em que poderá abraça-la novamente. Ele clama pela presença dela, desejando quase tocar em sua pele e a convidar para dançar. Mas ao mesmo tempo tão perto e tão longe. Todas as manhãs ele canta o nome dela. Mas é na noite que a saudade toca em seu coração. Na alma vai todas as lembranças, de todas as vidas. A voz dela está em seu ser, ele pode sentir as lágrimas dela diante da solidão. Ele a espera. Ela não pode ir ao seu encontro, vivem em mundos diferentes. Sente a dor dele, sem saber a inquietude a domina, e uma tamanha surpresa, a pressa. Ah, se o mundo pudesse girar ainda mais rápido, se ela pudesse viver tudo o que está escrito e voltar voando para a presença dele. Não pode. Há ainda uma estrada para percorrer, a paisagem oscila, assim como as dores e os apressados sorrisos. Não me abandone é o seu grito. A sua presença nesse instante reside na sua ausência.

#elainegomes
Foto: Bernardino Costa Neto

Tempos


Houve um tempo em que a vida era simplesmente sair para dançar depois do trabalho. Tempo este em que o perigo não existia e muito menos espaço para qualquer tipo de doença. Tudo era apenas dança. Neste tempo os abraços eram comuns, os sorrisos proliferavam nos rostos. Bastava um olhar e o milagre acontecia, estrelas surgiam no caminho. Saudades.

#elainegomes

Poesia Oral

"Refiz
 o
 acabado"

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Peraí, Repara (Arnaldo Antunes e Marisa Monte)

"Pra que tanta pressa?
onde quer chegar?
deixa de conversa
pode relaxar

peraí, peraí
peraí, repara
peraí, peraí
peraí, já é

as coisas são invisíveis
se você não para
para reparar

paraquedas
pararaio
parabrisa
parati
paralamas
paralela
parapeito
por aí

peraí, peraí
peraí, repara
peraí, peraí
peraí, já é

(...)

as coisas são diferentes
quando você para
para reparar"

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Mestre de Cerimônia e Apresentadora


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A Arte de Contar Histórias em Casamento

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Elaine Gomes

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História da Arte

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Narração de Histórias

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Ouvir Estrelas



"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo? "

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas".

Olavo Bilac

A PERGUNTA (Conto Indiano)

A PERGUNTA (Conto Indiano) Do livro: O Violino Cigano e outros contos de mulheres sábias Recontados pela PROFA. Regina Machado Editora Cia....