Dentro de nós várias gavetas. Algumas gavetas estão fechadas, mas as chaves estão na fechadura. Outras as fechaduras estão enferrujadas e as chaves sumiram. Talvez exista a possibilidade de uma chave substituir a outra e o ferrugem ceder. Mas para tanto precisamos querer abrir. Tem gaveta que é fácil, quase abre sozinha, mas tem outras que emperraram na tristeza. As limpezas são necessárias, todas as gavetas precisam de ar e sol, luz. Não adianta perder, esconder a chave, é necessário encontrar um jeito, mesmo que seja pegando a chave de outra gaveta, arriscar. Quando as gavetas são abertas nos deparamos com diversas surpresas, sentimentos até então esquecidos. Outros escondidos lá no fundo, embaixo de alguma outra coisa, na tentativa frustrante de tentar esquecer, se eu não vejo, não lembro. Procure dentro das gavetas, abra as suas gavetas, perdoe, doe, recicle, chore, lembre, ria, passe um pano úmido, deixe um perfume com o lustre móveis e depois gotas de lavanda; dessas gotas-perfumes que vão da alma ao coração. Não esconda dentro das gavetas o que viveu, não deixe trancado o que você não pode cuidar.
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