segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

A Noite da Virada

 


Inacreditável, mas o ano novo vem chegando e com ele as expectativas, as famosas esperanças e os projetos. Estes nem tão longos, nem tão grandiosos, apenas virar a noite com as pessoas que estiveram com você durante todo o ano. Ou abrir aquela garrafa da bebida preferida e olhar o céu, cheio de desenhos feitos pelos fogos de artifícios. Impressionante como a conta vem e de repente, ali, no corpo uma manchinha rosada, no braço, perto do ombro. No primeiro momento você atribui a um inseto qualquer, a fissura incomoda, como um arranhar para lembrar do que viveu no ano que está prestes a partir e ainda continua latente. E quando menos se espera braços, abdômen, pernas, elas vão espalhando, deixando o rastro da raiva, da irritação, dos arrependimentos ainda pendentes do ano velho. E quanto mais aparecem, crescente é a imaginação fértil criada na mente insana. Que a essa altura vem dominando com doses grandes de ficção e drama. O que te restou foi a noite escura da solidão, com as feridas sendo abertas e nessa noite, justo nessa noite não irão cicatrizar. Você viu, todas as pessoas já estão ocupadas preparando a sua ceia, as roupas brancas e correndo para o mar. Incluindo aquelas, em que a presença havia sido cogitada ao seu lado (dizia a mente).  As manchinhas rosadas continuaram a surgir, quando o relógio anunciou meia noite e os fogos riscaram o céu, em alto som dizendo que o novo ano havia chegado, a mente esperta criou outra ilusão, ainda não será dessa vez, não desfalecerá, não em feridas abertas. Os olhos fecharam, feito fim de espetáculo, os fogos silenciaram, os desenhos no céu foram apagados, restando as manchinhas rosadas, agora em maior número.

 

 

 

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